Sabemos que para se ter no SUS um profissional com um perfil que vise seus princípios é necessário que se inicie desde a graduação, o debate nas universidades envolvendo estudantes e professores é de fundamental importância para a futura práxis no sistema de saúde, ora mesmo com o discurso e a prática do Ministério da Saúde-MS, dos Municípios, e o consenso de dirigentes do ensino de medicina sobre necessidades de mudança, assim como redes de apoio de porte da ABRASCO, ou Rede Unida e mesmo assim as modificações são mais lentas do que o desejado.
Como pano de fundo para justificar essa lentidão, seria a questão da ideologia na medicina um determinante?; partindo do princípio de que a ideologia se não é a única representa uma causalidade muito importante.
Segundo Marilena Chaui: Ideologia não é sinônimo de subjetividade oposto a objetividade(...) não é um pré-conceito nem pré-noção, mas um "fato" Social, justamente por que é produzida pelas relações sociais, (...) possui razão muito determinada para seguir e se conservar (...) é uma produção de ideias por formas históricas determinadas nas relações sociais.
Segundo a concepção marxista de ideologia explica que a consciência está indissoluvelmente ligada as condições materiais de existência e que as ideias nascem, em última instância das atividades materiais, para relacionar o tema ideologia com a prática médica e com a resistência da mesma as mudanças, ainda tomando as ideias de Chaui, a partir de Marx e Hegels. Ela afirma que ideologia(entenda-se como dominante, hegemônica) é possível em função da alienação.
(...) Enquanto não houver um conhecimento da história real, enquanto a teoria não mostrar a prática imediata dos Homens e Mulheres, enquanto a experiência com a vida for mantida sem crítica e sem pensamento, a ideologia dominante se manterá. Ora, é justamente o que parece que ocorre com a categoria médica hegemonicamente, ela conhece a história da prática de sua profissão- a não ser para alguns- como mera sucessão de datas, personagens e investimentos. Marx e Hegels dizem que as ideias da classe dominante são em cada época as ideias dominantes(...) e aos trabalhadores é dada a alienação.
No início desta história no século 19 (..) o capitalismo já era uma forma hegemônica da organização da produção no mundo desenvolvido da época- europeu. Este capitalismo funcionava com uma superexploração da força de trabalho. Nesse contexto, a teoria prevalente da origem das doenças ainda era algo semelhante à miasmática, que eludia as questões sociais. Nessas condições, a contra-hegemonia gesta movimentos de transformação social, de caráter socialista. No seio desses moviemntos sociais é que os médicos (as) desenvolvem um novo conceito do processo saúde -doença. Esse moviemnto, chamado de medicina social, acompanha as tentativas de transformação social entre 1830 e 1870, tornando-se a explicação hegemônica para ciência médica da época.
Em 1848, Virchow – considerado o pai da medicina social – afirmava que as doenças eram causadas pelas más condições de vida e, junto com Neumann, propôem mudanças nas leis prussianas, objetivando superar a exploração da força de trabalho e garantir melhores condições de sua reprodução, colocando no Estado a obrigação de suprir estas necessidades.
Entre 1870 e 1900, com o desenvolvimento de diversos campos do conhecimento, aparetemente díspares, como patologia, histologia, química, fisiologia e principalmente, microbiologia, eclode uma verdadeira revolução no conhecimento médico. A partir daí, seja por interesse do capital e\ou do complexo médico industrial, ou porque o conhecimento na área inicia sua fragmentação de fato, ou porque as tentativas de transformação social fossem derrotadas, ou por todos esses motivos, perde a força, na Europa, o entendimento da saúde como uma questão determinada socialmente. Behring em 1893, segundo Rosen, sintetiza a ruptura com o movimento de medicina social, dizendo que, graças à descoberta das bactérias, a medicina não precisaria mais perder tempo com os problemas sociais, a partir desse dicurso à teoria do germes de pauster, a unicausalidade fica assentada. A hegemonia definitivamente, não gostava das pesquisas e investigações da medicina social, que apontavam invariavelmente para mudanças sociais, quer por parte dos capitalistas ou por parte do Estado que os representava. Esta forma parece ser o exemplo típico de como a hegemonia instala ideologiacamente um jeito de pensar (não se pensa mais na questão da sociedade). Na Europa, o pensamento bacteriano convive com o da medicina social em declínio, mas nos EUA por condições particulares quer da formação social, quer do modelo médico preexistente, terreno da unicausalidade rapidamente se torna hegemônico. A medicina abandona definitivamente a possibilidade de ser também uma arte, ela sempre tentou se valorizar como ciência exata, portanto o biólogico era o único pensamento aceitável enquanto pudesse ser convertido em dado matemático.
O modelo Norte-americano
Em 1910, Flexner, professor da John Hopkins university, onde vai investigar as Universidades Norte-americana com intuito de propor mudanças, e assim o faz destruindo o conceito das Universidades que tinha Homeopataia como disciplina.. Cutolo, em sua tese sobre educação médica, dissera profundamente o conteúdo desse relatório:
(...) A ênfase do ensino deve ser dividida entre básico (dentro do laborário) e profissionalizante (dentro dos hospitais) (...) denuncia as chamadas seitas médicas como homeopatia (...) discrimina negros e mulheres (...) hipervaloriza o ensino da anatomia (...) não há menção ao ensino de saúde mental, saúde pública ou ciências sociais. A base diagnóstica deverá ser física ou biólogico (...), e o melhor ensino é por especialidades. Sua concepção de ciência é manifestamente positivista.
O chamado modelo Flexneriano- e chamar dessa forma é mais um mecanismo ideológico para alienar- poderia ser chamada de modelo de medicina positivita ou ou modelo unicausal, este modelo rapidamente torna-se hegemônico nos EUA, possibilitando o desenvolvimento das bases para o capitalismo auferir lucros com a doença- o chamado complexo médico industrial. Em poucos anos, expande-se para as Américas do Norte e Central, mas encontra dificuldades de hegemonia na América Latina.
No Brasil com a luta do movimento sanitário e da 8º conferência de saúde e a formulação legal da Constituição com as leis 8080 e 8142, foi constuído contra-hegemonia na tentativa de pautar uma outra proposta de sistema de saúde, onde deu origem ao SUS com seus princípios de; equidade, integralidade e universalidade, logo ainda nos anos 90 se propôe a PSF como estrattégia de reestrurar o SUS, mas os apratos ideólogicos tenta demostrar sempre que o sistema público é ineficaz, que é só para pobres, hoje deveríamos chamar de Estratégia em saúde da Família-ESF, e não Programa de saúde da Família-PSF, os investimentos é considerado pouco o chamado piso para atenção básica-PAB, percebemos na prática que faltam profissionais capacitados para atuar dentro dos princípios do SUS, assim como vivenciálos em toda sua plenitude, pois bem aí se coloca a contradição em evidência. Os municípios precisam de um profissional que as faculdades de medicina, em sua grande maioria, não estão formando, e não querem um especialista, nem trabalho no hospital.
O que pode nos parecer estranho na verdade tem uma razoável explicação. O capitalismo internacional, no interesse de garantir o pagamento de dívidas externas dos países aos bancos, passa a se interessar por colaborar com os países que queiram investir em atenção básica. O entendimento é que esta atende melhor, com menor custo. Isto permite que alguns das diretrizes do SUS tenham financiamento internacional. Este fato, associado à luta do movimento sanitário, começa a criar uma outra hegemonia na área da saúde.
Referência do artigo: Marco Aurélia da Roz
Josiano Macêdo de Lima
Médico da Reforma Agrária Formado em Cuba
Especialista em Médicina de Família e Comunidade
Membro da Coordenação Nacional da AMN-MF
Médico da Reforma Agrária Formado em Cuba
Especialista em Médicina de Família e Comunidade
Membro da Coordenação Nacional da AMN-MF
Assessoria Técnica do Projeto Hospital da Mulher-CE
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