terça-feira, 19 de abril de 2011

AQUECIMENTO GLOBAL E MUDANÇAS CLIMÁTICAS: Ameaça as bases naturais da vida




Estamos num período em que estão ocorrendo mudanças climáticas alarmantes, constituindo-se numa ameaça cada vez mais grave às bases naturais da vida no planeta.
            Trata-se de um fenômeno que é objeto de discussões polêmicas. Ainda há quem nega que as mudanças observadas (e entre elas em primeiro lugar o aquecimento global) têm a ver com a industrialização e a forma como foi constituída a matriz energética global. A maior parte dos governos e empresas ainda não consideram a necessidade de uma mudança radical do modelo de desenvolvimento. As “soluções! Discutidas ainda são superficiais e tendem a transferir o ônus que elas acarretam para as populações pobres do mundo- repetindo o mesmo esquema conhecido durante a história do capitalismo e do colonialismo.
            Na verdade existem três conceitos importantes diferentes nessa área: Mudanças Globais, Mudanças Climáticas e Aquecimento Global. Sobre mudanças globais: o que está acontecendo com o nosso planeta é que o homem adquiriu tal predomínio, como espécie dominante, do nosso planeta, que vários dos processos naturais biogeoquímicos que governan a composição da atmosfera e o funcionamento dos ecossistemas, ao longo dos últimos dos 4,5 bilhões de anos de evolução do nosso planeta, estão sendo profundamente alterados pelo homem. Particularmente nos últimos 150 anos. Isto quer dizer que o homem tem uma grande parcela de responsabilidade, tendo em vista que o clima do planeta é dominado por processos naturais e por processos associados à ação humana, como exemplo: estão a alterações no brilho do sol, emissões de aerossóis vulcânicos e uma série de processos que alteram a biosfera do planeta. Hoje não há menor dúvida, dentro dos 95 por cento de confiabilidade, de que a causa do aquecimento global dos últimos 150 anos é a ação do homem.
            Diante desse quadro, portanto, coloca-se a pergunta do que é possível fazer para que os efeitos inevitáveis das mudanças climáticas não atinjam de forma existencial as populações mais vulneráveis e, além disso, o que é possível fazer para contribuir a partir do “sul” com uma mudança do atual “modelo” injusto e predator, atacando assim o problema pelas causas.
            Algumas das conseqüências mais imediatas das mudanças climáticas já são previsíveis ou até já podem ser observadas:
a)      Os padrões de neve e chuva estão mudando na América Latina, criando uma pressão adicional à já limitada disponibilidade de água potável no Peru, Bolívia, Colômbia, Chile, na parte ocidental da Argentina e Nordeste brasileiro. Mesmo m regiões com água abundante, há motivos de preocupação. Em grande parte da região amazônica, a situação de maior enchente no ano de 2005 foi a mais baixa dos últimos 60 anos.
b)      Aparecimento de secas severas, contribuindo com o aumento dos incêndios florestais e a falta de água disponível.. O surgimento de novos e a ampliação dos atuais desertos, atingindo diretamente as possibilidades de produção agrícola e a disponibilidade de alimentos abundantes e com preços acessíveis.
c)      O aquecimento de regiões altas dos Andes está acabando com as geleiras, afetando diretamente a agricultura e a disponibilidade de água nas cidades costeiras. Além disso, o transbordamento de lagos que recebem as águas do degelo ameaça de imediato a vida e a subsistência de populações mais abandonadas.
d)      Ocorrência de furacões, tufões e ciclones, com violência redobrada, como as inundações e tufões na Ásia do Sul e do Sudeste, inundações a uma escala sem precedentes na África Oriental e Ocidental e furacões sucessivos de escala cinco nas Caraíbas (Nesta região, só em 2005, foram 26 tormentas tropicais e 14 furacões provocando tragédias em Belize, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México e Nicarágua). As pessoas mais pobres são as mais susceptíveis à destruição causada pelos furacões e inundações por várias razões. Os pobres vivem comumente em casas de baixa qualidade, mais expostas aos danos dos ventos, as chuvas fortes e às inundações. A baixa qualidade ou não existência de redes de esgotamento sanitário e a falta de água potável nos bairros pobres poderá criar uma maior exposição a doenças transmitidas pela água depois de uma inundação.
e)      O crescimento do nível dos oceanos devido ao derretimento das calotas polares, podendo ocorrer, futuramente, a submersão de muitas cidades litorâneas. O aumento do nível do mar poderá afetar as áreas costeiras, especialmente em regiões mais vulneráveis do Caribe, América Central, Venezuela, Brasil e Uruguai, causando tanto a perda de terrenos costeiros como atingindo a infraestrutura e a biodiversidade com a invasão da água salgada (também pelos rios) contaminando os solos.
f)        Desmatamento de florestas de países tropicais (que ao mesmo tempo em parte são causa e em parte efeito das mudanças climáticas), inclusive no Brasil. As florestas latinas americanas ocupam um quarto da região e correspondem a mais de um quarto das florestas do planeta. Supõe-se que o aumento da temperatura em 2ºC poderia ocasionar uma seca permanente na região e o desaparecimento em grande escala da floresta, produzindo uma alta liberação de carbono na sua deteriorização, acabando com grande parte das espécies de planta e animais.
g)      A morte de várias espécies animais e vegetais. Isto ameaça as bases de sistemas de produção agrícola que funcionam em consonância com o equilíbrio dos ecos sistemas e de forma especial a agro-ecológica, o extravismo e a pesca sustentável, atingindo assim populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas... A diminuição da biodiversidade como, p.ex., a destruição de sistemas de corais que são verdadeiros berçários e fonte para a multiplicação da vida marítima, terá efeitos desastrosos para a pesca.
h)      Diminuição do nível do lençol freático.
i)        Alteração no nível de chuva em diversas regiões.
j)        Aumento geral da temperatura no planeta.
k)      Alterações significativas no fluxo de água em rios e área alagáveis.

Finalmente, pode-se seguramente prever que a segurança alimentar tende a diminuir na medida em que aumentarão as imponderabilidades climáticas (secas precipitações irregulares, erosão dos solos etc.). Neste contexto também aumentarão os preços dos alimentos ou no geral os produtos agrícolas, a agricultura familiar poderá perder sua viabilidade. Os povos indígenas poderão perder as condições de viver nas suas terras. Além desses exemplos é possível que, em geral, os índices de pobreza aumentem cada vez mais com todos os efeitos para à saúde, educação da população mais pobres etc.
No entanto, longe de querer desenhar um cenário apocalíptico, a intenção deste texto é servir subsídio para um debate na busca de propostas populares para resolução de tal situação, visando a construção de uma estratégia que atinja os problemas pelas causas, sabemos que para mexer com estes deve-se ir à raiz, portanto a classe poderoso do estado burguês mundial.
Entre as principais causas das alterações climáticas e do aquecimento global que podemos de imediato destacar estão:
a)      O modelo de industrialização dos últimos dois séculos baseado no uso de fontes de energia fósseis e em conseqüência a emissão de gases que causam o efeito estufa (dióxido de carbono, metano, óxido nitroso, CFCs etc.) pela própria indústria.
b)      A agricultura baseada no uso intensivo de insumos químicos.
c)      A monocultura da produção agrícola que destrói a diversidade.
d)      A pecuária extensiva e crescente que exige destruição de florestas e cujos animais produzem gases.
e)      O transporte terrestre, aéreo e marítimo e o modelo de transporte urbano atual que provoca e privilegia o aumento de carros pelo conceito de individualização.
f)        O desmatamento e as queimadas de florestas que afetam reservatórios naturais de captação de carbono.
g)      As plantações e reflorestamentos de eucaliptos e pinus que esgotam a disponibilidade de água e destroem a fauna.
h)      Aglomeramentos urbanos imensos em base a concreto, sem arborização.

Estas causam têm a ver com um modelo de produção e de consumo moldado a partir dos princípios do capitalismo. A este “modelo” corresponde uma divisão internacional de trabalho e lucro que determina quem tem o ônus da exploração da força de trabalho e dos recursos naturais e quem usufrui dos frutos deste trabalho e acumula bens e capital. Este sistema é amparado por políticas governamentais ( não só de países ricos e industrializados) bancos, organizações internacionais e órgãos multilaterais(banco mundial, FMI,OMC etc.), ou seja existe um consenso ideológico- Hegemonia construída a favor desse sistema mundial, não por acaso que as propostas apresentadas obedecem à mesma lógica do “modelo”.
É necessária uma atitude por parte dos lutadores (as) do povo e suas organizações sociais; Mov. Partidos e ONGs.

Josiano Macêdo de Lima
Médico da Reforma Agrária Formado em Cuba
Especialista
em Médicina de Família e Comunidade

Membro da Coordenação Nacional da AMN-MF

hhtp://ummundomelhorpossvel.blogspot.com/


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