Desde já podemos constatar que a relação entre saúde pública e saúde privada no Brasil tem como base de análise um processo histórico e de correlações de forças, para entendermos melhor vamos dividir em períodos na história do Brasil e modelos de saúde em cada período, sempre entendendo essa relação como processo dialético, histórico entre os modelos de saúde e o sistema político, econômico de estado, estado em seu conceito ampliado- GRAMSCI. Vejamos:
De 1923 a 1945 nesse período o modelo de saúde denominava-se sanitário campanhista, tendo em vista que nesse momento histórico, principalmente a partir dos anos 30 com o governo de Getúlio Vargas, a economia baseava-se na exportação e a entrada e saída de pessoas associados a más condições de saneamento no país favoreciam a epidemias, pondo em risco e comércio exportador, então o presidente buscava resolver problemas pontuais de saúde e para isso havia:
1- Pouco investimento para a saúde;
2- Exclusão das populações do campo;
3- Poucos profissionais da saúde comprometidos com a saúde pública.
Ainda assim foram tomadas algumas iniciativas importantes para o povo brasileiro em geral:
1- Lei trabalhista;
2- Lei Elói Chaves;
3- Criação do Min. Do trabalho;
4- CLT- Consolidação das leis do trabalho
5- CAPS- Caixa de aposentadorias e pensão;
6- IAPS- Institutos de aposentadorias e pensão.
Mas, o resultado é que na correlação de forças, o sistema de atendimento médico privado aderia às mudanças moldando-as de acordo a seus interesses comerciais, usando das influências diretas e indireta canalizaram para um modelo pensado por eles dentro de um âmbito privado, construção essa que surgira aos poucos, mas, a partir dos anos 1945 a 1966, período este caracterizado por várias lutas e mudanças históricas no Brasil incluindo a pré-ditadura e ditadura militar, a derrota das reformas de base e a vitória ditatorial enfatizou e concretizou o que vinha sendo construído para o sistema de saúde, passando a chamar-se modelo sanitário assistencial privatista, onde a ditadura passou a investir em grandes hospitais privados como solução para os problemas relacionados à saúde, nesse sentido fortalecendo ainda mais a medicina privada e de mercado esquecendo fortemente a saúde pública, construindo as bases para o chamado modelo hospitalocentrico até hoje vigente, e para isso o estado realizava as seguintes situações:
1- Poucos investimentos para saúde pública;
2- Muito investimento para saúde privada; podemos chamar aqui o verdadeiro “milagre econômico” nesse período foram vendidas mais de 25 empresas de saúde para EUA e EU, entregando nossa saúde nas mãos dos gringos;
3- Esgotamento da reserva cambial;
4- Convivência com o sistema privado, as tentativas de ações para saúde pública,
foram poucas e sem forças como, por exemplo: a criação do departamento nacional de endemias o instituto nacional previdência social servira apenas como lavagem de dinheiro do estado. Nos anos de 1966 a 1973 aprofundavam-se ainda mais o modelo privado de saúde com investimentos e políticas estatais que o favoreciam a privatização da assistência médico privado, conversão da medicina de grupos, enquanto isso a saúde pública minguava ao posso profundo, mas em contrapartida a crise dos modelos então vigente levava ao levante de lutas a favor de outro país, incluindo profissionais da saúde nessa luta, já nos 1979 com a crise consolidada se firma a medicina privada com o chamado modelo Assistência médico hospitalar supletivo, apesar das situações contra esse modelo como a carta da ALMA-ATA, a fundação da ABRASCO, da CEBES e do II plano nacional de desenvolvimeto-PND, a luta popular estava em Ascenso mesmo assim a saúde pública perdeu na correlação de forças, porém a luta seguiu na construção de um modelo justo, universal que pudesse suprir as necessidades da nação brasileira, o surgimento do movimento sanitário e a 8ª conferencia nacional de saúde foram importantíssimo para unir ideais contra as forças conservadoras e reacionárias desse período. Portanto a década de 80 mesmo com a consolidação do sistema privado de saúde se construiu contra hegemonia aumentando a correlação de forças conseguiu-se situações importantes como:
1- Nova república;
2- Constituição de 1988;
3- Lei que regulamenta a saúde pública;
4- Medicina supletiva;
5- Universalização da saúde;
6- CNS;
7- SUDS;
8- SUS.
No entanto a vitória não foi completa, tendo em vista que o estado burguês assumira a posição de aceitar as reformas, mas seguiu acreditando na saúde privada como melhor solução e importante para o país, o então presidente Sarney afirmou que a medicina privada seguia como sendo importante para o Brasil, durante a concretização das leis e do projeto SUS mudaram-se artigos importantes tanto na constituinte quanto nas Leis 8080 e 8142 com então presidente Collor, tendo em vista que o sistema neoliberal chegava ao Brasil com o seu governo.
Diante de todo esse processo histórico e dialético entre saúde pública e saúde privada podemos afirmar que enfraqueceu por dentro, pois as mudanças da lei favoreceram a criação de subsistemas de saúde no país, hoje existe um subsistema público e um subsistema privado, onde os profissionais estão presentes em um e em outro vivendo uma esquizofrenia no sistema. Podemos dizer que na história de saúde no Brasil houve quatro modelos de saúde:
1- Sanitário campanhista;
2- Sanitário desenvolvimentista ou privatista;
3- Assistência médico hospitalar supletivo;
4- Universal- SUS, porém o sistema único de saúde segundo o Doutor em Saúde
pública Fernando Silvio;
Dividiu-se em SUS real; SUS legal; SUS democrático, porém a luta segue árdua para concretização do SUS democrático no país.
É necessário priorizar o SUS para garantir sua concretização e para isso necessitam-se investimentos e saída do subsistema privado da forma que está sendo posto hoje.
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