terça-feira, 26 de novembro de 2013

EXPOSIÇÃO PARA SEMINÁRIO SOBRE SOBERANIA ALIMENTAR E CASAS DE SEMENTE NA REGIÃO NORTE:


 
USO DE AGROTÓXICO E SUAS CONSEQUENCIAS PARA SAÚDE HUMANA E AMBIENTAL

 

EIXOS PARA ENTENDIMENTO:

1-Conjuntura Agrária\Agrícola:

a) Sistema do capital:

Uma leitura comum da realidade agrária brasileira.

O modelo de produção agrário atualmente hegemônico no Brasil está marcado pela entrada do capitalismo no campo e pela chamada “Revolução Verde” que lhe dá sustentação, Tendo um caráter perverso em relação ao modo da Apropriação / exploração / Expropriação da natureza e da força de trabalho. O agrotóxico é uma expressão de seu potencial morbígeno e mortífero, que transforma os recursos públicos e os bens naturais em janelas de negócios.

 

a) Do ponto de vista econômico:

- Estamos sofrendo uma ofensiva do grande capital, financeiro e internacional que pretende se apropriar dos recursos naturais, da agricultura e transformar tudo isso em lucro.

- Há uma imposição de uma matriz produtiva de destruição da biodiversidade, da monocultura e do uso intensivo dos agroquímicos;

- Há um domínio via a imposição das sementes transgênicas e da destruição da biodiversidade;

- Há um controle dos bens naturais da mineração;

- A agricultura capitalista moderna está cada vez mais subordinada ao capital financeiro;

- As grandes empresas transnacionais subordinam o processo produtivo e controlam o mercado mundial, cada vez mais oligopolizado.

 

2-  Agricultura do Agronegócio=agroexportador: 

AS CONTRADIÇÕES DO MODELO DO CAPITAL

                    

a) Felizmente o modelo de dominação do capital sobre a agricultura tem trazido graves conseqüências e contradições para toda sociedade, e isso vai levá-lo a derrota.     Por que a espoliação máxima da natureza é insustentável do ponto de vista econômico, do ponto de vista ambiental, climático.  

 

b) E também o modelo do agronegócio é socialmente inviável, porque não gera emprego, não distribui renda, não promove o desenvolvimento do interior e da economia local e em médio prazo a população se dará conta que é um projeto apenas para o capital;

 

c) É um modelo produtivo baseado no agroquímico e nos venenos agrícolas que são incompatíveis com uma alimentação saudável.   E com a preservação da natureza.

 

d) É inviável economicamente, porque a dependência do capital financeiro é cada vez maior, a dependência de insumos agroquímicos que são trazidos de distancias cada vez maiores e do exterior, e as escalas de produção, vão gerando contradições insuperáveis.

 

3- Reforma Agrária Popular= pequeno agricultor;

UMA PROPOSTA  POPULAR  PARA A AGRICULTURA

 

Há uma convergência entre todas as propostas, que se pode incluir também, mais além das formulações dos movimentos que resultou no encontro unitário dos trabalhadores do campo, incluindo povos indígenas, pescadores, quilombolas (Brasilia, agosto de 2012).     

  : Há uma nova proposta de reforma agrária e de projeto de desenvolvimento popular da agricultura.   Ou seja, reorganizar a produção agrícola para os interesses do povo brasileiro.

 

a)      Agora não é só disputar terra; precisamos disputar o território – controlar em tudo o que ele representa de bens da natureza, biodiversidade, minérios, água, pesca, rios, etc..

b)      A terra não é mais apenas para trabalhar, mas pra produzir alimentos, de forma saudável e para toda sociedade brasileira.   Focando a necessidade de a soberania alimentar, ou seja, em cada local, região, município, o povo precisa ter condições e produzir seus próprios alimentos, de acordo com seus hábitos alimentares e sua cultura;

c)      Recuperar a idéia da cooperação e beneficiamento dos alimentos de forma saudável, que é feito na agroindústria em cooperativas.   Combatendo assim as grandes estruturas de dominação impostas pelas empresas transnacionais; em todas as cadeias de alimentos.

 

d) Garantir o acesso a educação, em todos os níveis, desde as crianças até os adultos.  Desde a ciranda infantil até a universidade e conhecimento técnico.

 

e) Desenvolver uma nova matriz tecnológica baseada nos parâmetros da agroecologia, e da agrofloresta.

 

f) seguir combatendo a concentração da propriedade da terra e os latifúndios.  

 

 

4--Impacto de consumo e da produção:

Segundo a Anvisa, 130 empresas atuam hoje no setor de agrotóxicos no Brasil, sendo que 96 estão instaladas no país. Somente as dez maiores empresas do setor, no entanto, foram responsáveis por 75% das vendas de agrotóxicos na última safra, dividindo entre si o mercado brasileiro de acordo com as categorias de produto.

      Existem cerca de 15.000 formulações para 400 agrotóxicos diferentes, sendo que cerca de 8.000 encontram-se licenciadas no Brasil, que é o maior consumidore de agrotóxicos no mundo.

      Cada brasileiro proporcionalmente consome 5,2 kg de agrotóxicos por ano.

      Existe agricultor brasileiro que ainda chama o agrotóxico de remédio das plantas e não conhece o perigo que ele representa para a sua saúde e o meio ambiente.

 

-campeão mundial do consumo;

- um terço dos alimentos está contaminado;

-empresas transnacionais controlam o pacote;

-pesquisa da UFC (Rigotto 2011)

-investimentos do estado equivocado 20% para pequeno 80% para empresas;

-a pequena agricultura Poe 80% dos alimentos na mesa dos brasileiros.

5-Impacto na saúde humana e ambiental:

Intoxicações: agudas e crônicas

      O uso de agrotóxicos tem causado diversas vítimas fatais, além de abortos, fetos com má-formação, suicídios, câncer, dermatoses e outras doenças.

      Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, há 20.000 óbitos/ano em conseqüência da manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas, nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

Saúde do trabalhador (a);

Consumidores;

Águas e terra\biodiversidade.

Contaminação das águas por agrotóxico do Ceará

A expansão da fronteira agrícola chega ao semi-árido do nordeste do Brasil com a

Implantação de empresas transnacionais e nacionais que, beneficiando-se do fácil acesso a terra e água, se voltam especialmente para a fruticultura irrigada e o cultivo de

Camarões para exportação. O modelo de produção do agro-hidronegocio caracteriza se

Pelo monocultivo em extensas áreas, antecedido pelo desmatamento e conseqüente comprometimento da biodiversidade, e pela dependência do consumo intensivo de fertilizantes e agrotóxicos para atender as metas de produtividade.

No estado do Ceara, o “Estudo epidemiológico da população da região do Baixo

Jaguaribe exposta a contaminação ambiental em área de uso de agrotóxicos “1 abordou

Dimensões da Saúde dos Trabalhadores e de Saúde Ambiental impactados pelo processo de desterritorializacao induzido pela modernização agrícola (RIGOTTO, 2011).

 

6-Desafios e Perspectivas:

-conscientização coletiva;

-organização social e política;

-enfrentamento ao sistema do capital.

 

Estamos vivendo um longo período de resistência, de enfrentamento de um projeto do capital que é hegemônico, e precisamos acumular forças para o nosso projeto de fututo

 

a)      Na luta Política-ideológica nos somarmos nas duas bandeiras gerais da classe trabalhadora: democratizar os meios de comunicação e a luta pela qualidade da educação.

b)      Seguir construindo a unidade de todos os movimentos sociais do campo, em todos os estados, a exemplo do que foi o encontro unitário, que agora precisa aterrizar nas regiões e estados.

c)      Reproduzir este debate na forma de seminários estaduais e regionais.

d)     Aproveitar os espaços universitários para fazer a disputa político-ideologica entre os dois projetos do capital x  trabalhadores.

e)      Articular as pesquisas agrárias dentro de nossa pauta de necessidades e   sobretudo pesquisar o modelo do capital, suas contradições  e fragilidades;

 

f)       Participar e fortalecer as articulações em cursos, Campanha Agrotóxicos + incluir transgênicos;

 

g))Participar ativamente das Campanha temáticas em curso como:Campanha contra Trabalho Escravo;Campanha contra violência contra mulheres;Campanha Desmatamento Zero e Recuperação Áreas Degradadas;Campanha Pelo Alimento Local;Campanha pela regularização do território pesqueiro.

 

h)Assumir como parte de nossa luta a causa indígena.  Não se trata de solidariedade apenas, os povos indígenas estão enfrentando a sanha do capital, que quer espoliar seus territórios para privatizar as riquezas que eles zelaram por séculos.

      i)Os camponeses  devem trabalhar com a produção orgânico e agroecológica, preservando a prevenção à saúde humana e Ambiental.

 

Muito Obrigado!!!

 

Dr. Josiano Macedo- Médico de família e Comunidade

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