quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Reforma Psiquiátrica e Política de Saúde Mental no Brasil



A Reforma Psiquiátrica no Brasil: Política de Saúde Mental do SUS

 

O processo de Reforma Psiquiátrica

 

O início do processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil é contemporâneo da eclosão do

“movimento sanitário”, nos anos 70, em favor da mudança dos modelos de atenção e gestão nas práticas de saúde, defesa da saúde coletiva, eqüidade na oferta dos serviços, e protagonismo dos trabalhadores e usuários dos serviços de saúde nos processos de  gestão e produção de tecnologias de cuidado. Embora contemporâneo da Reforma Sanitária, o processo de Reforma Psiquiátrica brasileira tem uma história própria, inscrita num contexto internacional de mudanças pela superação da violência asilar. Fundado, ao final dos anos 70, na crise do modelo de assistência centrado no hospital psiquiátrico, por um lado, e na eclosão, por outro, dos esforços dos movimentos sociais

pelos direitos dos pacientes psiquiátricos, o processo da Reforma Psiquiátrica brasileira é maior do que a sanção de novas leis e normas e maior do que o conjunto de mudanças nas políticas governamentais e nos serviços de saúde.

A Reforma Psiquiátrica é processo político e social complexo, composto de atores, instituições e forças de diferentes origens, e que incide em territórios diversos, nos governos federal, estadual e municipal, nas universidades, no mercado dos serviços de saúde, nos conselhos profissionais, nas associações de pessoas com transtornos mentais e de seus familiares, nos movimentos sociais, e nos territórios do imaginário social e da opinião pública. Compreendida como um conjunto de transformações de práticas, saberes, valores culturais e sociais, é no cotidiano da vida das instituições, dos serviços e das relações interpessoais que o processo da Reforma Psiquiátrica avança, marcado por impasses, tensões, conflitos e desafios.

 

Histórico da Reforma: (I) crítica do modelo hospitalocêntrico (1978-1991)

O ano de 1978 costuma ser identificado como o de início efetivo do movimento social pelos direitos dos pacientes psiquiátricos em nosso país. O Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM), movimento plural formado por trabalhadores integrantes do movimento sanitário, associações de familiares, sindicalistas, membros de associações de profissionais e pessoas com longo histórico de internações psiquiátricas, surge neste ano. É sobretudo este Movimento, através de variados campos de luta, que passa a protagonizar e a construir a partir deste período a denúncia da violência dos manicômios, da mercantilização da loucura, da hegemonia de uma rede privada de assistência e a construir coletivamente uma crítica ao chamado saber psiquiátrico e ao modelo hospitalocêntrico na assistência às pessoas com transtornos mentais. A experiência italiana de desinstitucionalização em psiquiatria e sua crítica radical ao manicômio é inspiradora, e revela a possibilidade de ruptura com os antigos paradigmas, como, por exemplo, na Colônia Juliano Moreira, enorme asilo com mais de 2.000 internos no início dos anos 80, no Rio de Janeiro. Passam a surgir as primeiras propostas e ações para a reorientação da assistência. O II Congresso Nacional do MTSM (Bauru, SP), em 1987, adota o lema “Por uma sociedade sem manicômios”. Neste mesmo ano, é realizada a I Conferência Nacional de Saúde Mental (Rio de Janeiro).

Neste período, são de especial importância o surgimento do primeiro CAPS no Brasil, na cidade de São Paulo, em 1987, e o início de um processo de intervenção, em 1989, da Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SP) em um hospital psiquiátrico, a Casa de Saúde Anchieta, local de maus-tratos e mortes de pacientes. É esta intervenção, com repercussão nacional, que demonstrou de forma inequívoca a possibilidade de construção de uma rede de cuidados efetivamente substitutiva ao hospital psiquiátrico. Neste período, são implantados no município de Santos Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) que funcionam 24 horas, são criadas cooperativas, residências para os egressos do hospital e associações. A experiência do município de Santos passa a ser um marco no processo de Reforma Psiquiátrica brasileira. Trata-se da primeira demonstração, com grande repercussão, de que a Reforma Psiquiátrica, não sendo apenas uma retórica, era possível e exeqüível.

Também no ano de 1989, dá entrada no Congresso Nacional o Projeto de Lei do deputado Paulo Delgado (PT/MG), que propõe a regulamentação dos direitos da pessoa com transtornos mentais e a extinção progressiva dos manicômios no país. É o início das lutas do movimento da Reforma Psiquiátrica nos campo legislativo e normativo. Com a Constituição de 1988, é criado o SUS – Sistema Único de Saúde, formado pela articulação entre as gestões federal, estadual e municipal, sob o poder de controle social, exercido através dos “Conselhos Comunitários de Saúde”.

 

Estratégia de redução progressiva a partir dos hospitais de grande porte

 

Aprofundando as estratégias já estabelecidas para a redução de leitos em hospitais psiquiátricos e para o incremento dos serviços extra-hospitalares, o Ministério da Saúde aprova em 2004 o Programa Anual de Reestruturação da Assistência Hospitalar no SUS (PRH). A principal estratégia do Programa é promover a redução progressiva e pactuada de leitos a partir dos macrohospitais (acima de 600 leitos, muitas vezes hospitais-cidade, com mais de mil leitos) e hospitais de grande porte (com 240 a 600 leitos psiquiátricos). Assim, são componentes fundamentais do programa a redução do peso assistencial dos hospitais de maior porte, e a pactuação entre os gestores do SUS – os hospitais e as instâncias de controle social – da redução planejada de leitos, evitando a desassistência. Desta forma, procura-se conduzir o processo de mudança do modelo assistencial de modo a garantir uma transição segura, onde a redução dos leitos hospitalares possa ser planificada e acompanhada da construção concomitante de alternativas de atenção no modelo comunitário. Para tanto, são definidos no Programa os limites máximos e mínimos de redução anual de leitos para cada classe de hospitais (definidas pelo número de leitos existentes, contratados pelo SUS). Assim, todos os hospitais com mais de 200 leitos devem reduzir no mínimo, a cada ano, 40 leitos. Os hospitais entre 320 e 440 leitos podem chegar a reduzir 80 leitos ao ano (mínimo: 40), e os hospitais com mais de 440 leitos podem chegar a reduzir, no máximo, 120 leitos ao ano. Desta forma, busca-se a redução progressiva do porte hospitalar, de modo a situarem-se os hospitais, ao longo do tempo, em classes de menor porte (idealmente, até 160 leitos). Ao mesmo tempo, garantese que as reduções de leitos se efetivem de forma planejada, de modo a não provocar desassistência nas regiões onde o hospital psiquiátrico ainda tem grande peso na assistência às pessoas com transtornos mentais. Este processo, com ritmo pactuado entre os gestores do município e do estado, hospitais e controle social, deve incluir o aumento progressivo dos equipamentos e das ações para a desinstitucionalização, tais como CAPS, Residências Terapêuticas, Centros de Convivência e a habilitação do município no Programa de Volta para Casa. Na mesma direção estratégica, o Programa recompõe as diárias hospitalares em psiquiatria. Assim, a partir do Programa, passam a vigorar diárias hospitalares compostas e diferenciadas para os hospitais, levando-se em conta o seu porte (classe), a qualidade do atendimento avaliada anualmente pelo PNASH/Psiquiatria e a redução de leitos efetivada. Desta forma, recebem incentivos financeiros, através de novos valores de diárias hospitalares, aqueles hospitais que efetivam a redução de leitos, reduzindo o seu porte, e qualificam o atendimento prestado, verificado pelo PNASH/Psiquiatria. Assim, passam a ser melhor remunerados pelo SUS todos os hospitais que reduzem leitos e que melhoram a qualidade de atendimento, aferida pelo PNASH/Psiquiatria. A partir do Programa, a recomposição das diárias hospitalares passa a ser uma ferramenta da política de redução racional dos leitos e qualificação do atendimento em psiquiatria no SUS.

O Programa também busca garantir que os recursos que deixem de ser utilizados nos

Hospitais, com a progressiva redução de leitos, permaneçam no campo das ações de saúde mental e sejam direcionados para os equipamentos da Reforma Psiquiátrica. Desta forma, busca-se garantir o incremento das ações territoriais e comunitárias de saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial, Serviços Residenciais Terapêuticos, ambulatórios, atenção básica e outros.

 

Manicômios Judiciários: um desafio para a Reforma

 

A Reforma psiquiátrica brasileira há muito discute o mandato social da psiquiatria e modifica com responsabilidade a prática asilar. É relativamente recente, no entanto, a discussão do manicômio judiciário, duplo espaço de exclusão e violência. Estima-se que 4.000 cidadãos brasileiros estejam hoje internados compulsoriamente nos 19 Hospitais de Custódia e Tratamento Psiquiátrico ou Manicômios Judiciários em funcionamento no país. Estes hospitais, não sendo geridos pelo Sistema Único de Saúde, mas por órgãos da Justiça, não estão submetidos às normas gerais de funcionamento do SUS, ao PNASH/Psiquiatria (com única exceção dos Hospitais de Custódia do Rio de Janeiro), ou ao Programa Anual de Reestruturação da Assistência Hospitalar

Psiquiátrica. São freqüentes as denúncias de maus tratos e os óbitos nestes estabelecimentos. No ordenamento jurídico brasileiro, as pessoas com transtornos mentais que cometem crimes são consideradas inimputáveis, isto é, isentas de pena. Estas pessoas são submetidas, no entanto, à medida de segurança, espécie de tratamento compulsório, cuja principal conseqüência é a segregação perpétua ou por longo período, através da internação, da pessoa acometida de transtornos mentais que cometeu um crime ou uma infração. A publicação da lei 10.216, assim como as resoluções da III Conferência Nacional de Saúde Mental, vêm fomentando, no entanto, de forma inequívoca, a mudança das práticas na assistência ao louco infrator. O exame crítico e intersetorial dos conceitos de inimputabilidade, medida de segurança e periculosidade, e a busca da superação do modelo de tratamento/custódia, através da articulação entre os atores da saúde e justiça são componentes desta mudança. O Ministério da Saúde desde então vem apoiando experiências interinstitucionais extremamente bem sucedidas, que buscam tratar o louco infrator fora do manicômio judiciário, na rede SUS extra-hospitalar de atenção à saúde mental, especialmente nos Centros de Atenção Psicossocial.

Supera-se, nestas experiências, a cessação de periculosidade como critério para a desinstitucionalização dos pacientes, e a rede extra-hospitalar de saúde mental, com seus dispositivos como os CAPS, residências terapêuticas, ambulatórios e Centros de convivência, passa a ser convocada para oferecer tratamento a estes cidadãos, antes excluídos da rede SUS. Este processo, ainda em curso, não se dá sem dificuldades. A construção de novas práticas para um segmento historicamente situado à margem, inclusive do Sistema de Saúde, encontra resistência na rede de atenção extra-hospitalar de saúde mental, na rede SUS em geral, nas comunidades de origem dos pacientes e nos órgãos de justiça, que, não raro, sugerem a reinternação de pacientes em manicômios judiciários mesmo na ausência de novo delito. Desta forma, muito embora o processo de desinstitucionalização destas pessoas esteja em curso em alguns estados, o sucesso do controle da porta de entrada do manicômio judiciário é ainda eventual e não existem ainda medidas para realizar uma redução programada de leitos/vagas. No entanto, ainda que embrionária, a nova prática nestes estados já começa a construir o espaço para o louco infrator nas ações do Sistema Único de Saúde, inclusive no Programa de Volta para Casa. Trata-se de um passo fundamental, sobretudo para a luta pela garantia à assistência, à saúde pública e de qualidade e à proteção aos Direitos Humanos de um grupo social que há séculos é vítima de exclusão e preconceito.

 

O papel estratégico dos CAPS

Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), entre todos os dispositivos de atenção à saúde mental, têm valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. É o surgimento destes serviços que passa a demonstrar a possibilidade de organização de uma rede substitutiva ao Hospital Psiquiátrico no país. É função dos CAPS prestar atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando assim as internações em hospitais psiquiátricos; promover a inserção social das pessoas com transtornos mentais através de ações intersetoriais; regular a porta de entrada da rede de assistência em saúde mental na sua área de atuação e dar suporte à atenção à saúde mental na rede básica. É função, portanto, e por excelência, dos CAPS organizar a rede de atenção às pessoas com transtornos mentais nos municípios. Os CAPS são os articuladores estratégicos desta rede e da política de saúde mental num determinado território.

Os CAPS devem ser substitutivos, e não complementares ao hospital psiquiátrico. Cabe aos CAPS o acolhimento e a atenção às pessoas com transtornos mentais graves e persistentes, procurando preservar e fortalecer os laços sociais do usuário em seu território. De fato, o CAPS é o núcleo de uma nova clínica, produtora de autonomia, que convida o usuário à responsabilização e ao protagonismo em toda a trajetória do seu tratamento. Os Centros de Atenção Psicossocial começaram a surgir nas cidades brasileiras na década de 80 e passaram a receber uma linha específica de financiamento do Ministério da Saúde a partir do ano de 2002, momento no qual estes serviços experimentam grande expansão. São serviços de saúde municipais, abertos, comunitários, que oferecem atendimento diário às pessoas com transtornos mentais severos e persistentes, realizando o acompanhamento clínico e a reinserção social destas pessoas através do acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Não existem dúvidas de que a expansão da rede CAPS foi fundamental para as visíveis

mudanças que estão em curso na assistência às pessoas com transtornos mentais. Nos últimos quatro anos, a rede CAPS experimentou uma expansão digna de nota, tendo duplicado o número de serviços no país. A implantação dos serviços de atenção diária tem mudado radicalmente o quadro de desassistência que caracterizava a saúde mental pública no Brasil. A cobertura assistencial vem melhorando progressivamente, mas, de fato, ainda está aquém do parâmetro estabelecido pelo Ministério da Saúde. Embora esteja clara a tendência de ampliação igualitária da cobertura, a distribuição espacial dos CAPS ainda reflete as desigualdades estruturais entre as regiões brasileiras. Existem hoje no Brasil 689 CAPS em funcionamento, distribuídos em quase todos os estados brasileiros. O indicador CAPS/100.000 habitantes informa as diferentes coberturas e ritmos de expansão dos CAPS nos estados, além de indicar aos gestores as necessidades de expansão da rede (referência de 1 CAPS para cada 100.000 habitantes).O indicador CAPS/100.000 habitantes : cobertura dos CAPS em cada estado brasileiro.

serviços diferenciam-se como CAPS I, CAPS II, CAPS III, CAPSi e CAPSad. Os CAPS I são os Centros de Atenção Psicossocial de menor porte, capazes de oferecer uma resposta efetiva às demandas de saúde mental em municípios com população entre 20.000 e 50.000 habitantes - cerca de 19% dos municípios brasileiros, onde residem por volta de 17% da população do país. Estes serviços têm equipe mínima de 9 profissionais, entre profissionais de nível médio e nível superior, e têm como clientela adultos com transtornos mentais severos e persistentes e transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para o acompanhamento de cerca de 240 pessoas por mês. Os CAPS II são serviços de médio porte, e dão cobertura a municípios com mais de 50.000 habitantes - cerca de 10% dos municípios brasileiros, onde residem cerca de 65% da população brasileira. A clientela típica destes serviços é de adultos com transtornos mentais severos e persistentes. Os CAPS II têm equipe mínima de 12 profissionais, entre  profissionais de nível médio e nível superior, e capacidade para o acompanhamento de cerca de 360 pessoas por mês. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana. Os CAPS III são os serviços de maior porte da rede CAPS. Previstos para dar cobertura aos

municípios com mais de 200.000 habitantes, os CAPS III estão presentes hoje, em sua maioria, nas grandes metrópoles brasileiras – os municípios com mais de 500.000 habitantes representam apenas 0,63 % por cento dos municípios do país, mas concentram boa parte da população brasileira, cerca de 29% da população total do país. Os CAPS III são serviços de grande complexidade, uma vez que funcionam durante 24 horas em todos os dias da semana e em feriados. Com no máximo cinco leitos, o CAPS III realiza, quando necessário, acolhimento noturno (internações curtas, de algumas horas a no máximo 7 dias). A equipe mínima para estes serviços deve contar com 16 profissionais, entre os profissionais de nível médio e superior, além de equipe noturna e de final de semana. Estes serviços têm capacidade para realizar o acompanhamento de cerca de 450 pessoas por mês. Os CAPSi, especializados no atendimento de crianças e adolescentes com transtornos mentais, são equipamentos geralmente necessários para dar resposta à demanda em saúde mental em municípios com mais de 200.000 habitantes. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para realizar o acompanhamento de cerca de 180 crianças e adolescentes por mês.

A equipe mínima para estes serviços é de 11 profissionais de nível médio e superior.

Os CAPSad, especializados no atendimento de pessoas que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas, são equipamentos previstos para cidades com mais de 200.000 habitantes, ou cidades que, por sua localização geográfica (municípios de fronteira, ou parte de rota de tráfico de drogas) ou cenários epidemiológicos importantes, necessitem deste serviço para dar resposta efetiva

às demandas de saúde mental. Funcionam durante os cinco dias úteis da semana, e têm capacidade para realizar o acompanhamento de cerca de 240 pessoas por mês. A equipe mínima prevista para os CAPSad é composta por 13 profissionais de nível médio e superior.  O perfil populacional dos municípios é sem dúvida um dos principais critérios para o planejamento da rede de atenção à saúde mental nas cidades, e para a implantação de Centros de Atenção Psicossocial. O critério populacional, no entanto, deve ser compreendido apenas como um orientador para o planejamento das ações de saúde. De fato, é o gestor local, articulado com as outras instâncias de gestão do SUS, que terá as condições mais adequadas para definir os equipamentos que melhor respondem às demandas de saúde mental de seu município.

 

A posição estratégica dos Centros de Atenção Psicossocial como articuladores da rede de atenção de saúde mental em seu território, é, por excelência, promotora de autonomia, já que articula os recursos existentes em variadas redes: sócio-sanitárias, jurídicas, sociais e educacionais, entre outras. A tarefa de promover a reinserção social exige uma articulação ampla, desenhada com variados componentes ou recursos da assistência, para a promoção da vida comunitária e da autonomia dos usuários dos serviços. Os CAPS, no processo de construção de uma lógica comunitária de atenção à saúde mental, oferecem então os recursos fundamentais para a reinserção social de pessoas com transtornos mentais. Existem hoje no país 251 CAPS I implantados, 266 CAPS II, 25 CAPS III, 56 CAPSi e 91 CAPSad.

Saúde mental e o acompanhamento com a atenção básica;

A responsabilização compartilhada dos casos exclui a lógica do encaminhamento, pois visa aumentar a capacidade resolutiva de problemas de saúde pela equipe local. No caso  de municípios maiores, onde estão implantados CAPS ou outros equipamentos da rede de atenção à saúde mental, a lógica do apoio matricial é a mesma: a equipe do CAPS, juntamente com membros das equipes dos outros equipamentos, apóiam as diferentes equipes de Atenção Básica através de ações de supervisão, atendimento conjunto e específico e capacitação. Em todos os cenários, as equipes matriciais de saúde mental e da Atenção Básica compartilham os casos e constroem coletivamente as estratégias para a abordagem de problemas vinculados à violência, ao abuso de álcool e outras drogas, as estratégias para redução de danos, o fomento de ações para a diminuição da segregação pela loucura e combate ao estigma, e o desenvolvimento de ações de mobilização dos recursos comunitários para a reabilitação psicossocial.

 

Os principais desafios da Reforma Psiquiátrica

Acessibilidade e eqüidade

 

Algumas considerações devem ser feitas a respeito destes dois desafios cruciais da Reforma, que são também os desafios do SUS.

• Estima-se que 3% da população necessitam cuidados contínuos em saúde mental, em

função de transtornos severos e persistentes (psicoses, neuroses graves, transtornos de

humor graves, deficiência mental com grave dificuldade de adaptação). A magnitude do

problema (no Brasil, cerca de 5 milhões de pessoas) exige uma rede de cuidados densa,

diversificada e efetiva.

• Cerca de 10 a 12% da população não sofrem transtornos severos, mas precisam de cuidados em saúde mental, na forma de consulta médico-psicológica, aconselhamento, grupos de orientação e outras formas de abordagem.

• O modelo hospitalocêntrico (e também o dos ambulatórios de especialidades), por ser

concentrador de recursos e de baixa cobertura, é incompatível com a garantia da

acessibilidade.

• Sem a potencialização da rede básica ou atenção primária de saúde, para a abordagem das situações de saúde mental, não é possível desenhar respostas efetivas para o desafio da acessibilidade.

• Transtornos graves associados ao consumo de álcool e outras drogas (exceto tabaco)

atingem pelo 12% da população acima de 12 anos, sendo o impacto do álcool dez vezes

maior que o do conjunto das drogas ilícitas. A criminalização do consumo agrava a vulnerabilidade dos usuários de drogas, exigindo uma articulação efetiva e inventiva entre a rede de cuidados e outras políticas setoriais, como justiça, segurança pública, trabalho, educação, ação social. Sem esta articulação e cooperação intersetorial, um acesso efetivo à prevenção e ao tratamento não está assegurado.

• A qualidade do atendimento deve ser garantida em todas as regiões do país, mesmo as mais carentes e distantes dos centros universitários, e pode ser assegurada através de um forte programa de capacitação, supervisão e formação de multiplicadores. O distanciamento entre

as instituições de formação e pesquisa e a saúde pública, no Brasil, agrava as carências de formação e qualificação de profissionais.

 

 

 

 

 

FONTE:

 

Elaboração, distribuição e informações:

MINISTÉRIO DA SAÚDE

Secretaria de Atenção à Saúde

Departamento de Ações Programáticas Estratégicas

Coordenação de Saúde Mental

Esplanada dos Ministérios

CEP.: 70058900, Brasília – DF

Tels.: (61) 33152313 / 33152684 / 33152655

FAX: (61) 33152313

Endereço eletrônico : saudemental@saude.gov.br

Portal: www.saude.gov.br

http://pvc.datasus.gov.br

 

ORGANIZAÇÃO:

Dr. Josiano Macedo – Médico de Família e Comunidade

Conselheiro do COMAD= Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas de Sobral-Ce

CSF do Aracatiaçu- PMS

 

 

 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

EXPOSIÇÃO PARA SEMINÁRIO SOBRE SOBERANIA ALIMENTAR E CASAS DE SEMENTE NA REGIÃO NORTE:


 
USO DE AGROTÓXICO E SUAS CONSEQUENCIAS PARA SAÚDE HUMANA E AMBIENTAL

 

EIXOS PARA ENTENDIMENTO:

1-Conjuntura Agrária\Agrícola:

a) Sistema do capital:

Uma leitura comum da realidade agrária brasileira.

O modelo de produção agrário atualmente hegemônico no Brasil está marcado pela entrada do capitalismo no campo e pela chamada “Revolução Verde” que lhe dá sustentação, Tendo um caráter perverso em relação ao modo da Apropriação / exploração / Expropriação da natureza e da força de trabalho. O agrotóxico é uma expressão de seu potencial morbígeno e mortífero, que transforma os recursos públicos e os bens naturais em janelas de negócios.

 

a) Do ponto de vista econômico:

- Estamos sofrendo uma ofensiva do grande capital, financeiro e internacional que pretende se apropriar dos recursos naturais, da agricultura e transformar tudo isso em lucro.

- Há uma imposição de uma matriz produtiva de destruição da biodiversidade, da monocultura e do uso intensivo dos agroquímicos;

- Há um domínio via a imposição das sementes transgênicas e da destruição da biodiversidade;

- Há um controle dos bens naturais da mineração;

- A agricultura capitalista moderna está cada vez mais subordinada ao capital financeiro;

- As grandes empresas transnacionais subordinam o processo produtivo e controlam o mercado mundial, cada vez mais oligopolizado.

 

2-  Agricultura do Agronegócio=agroexportador: 

AS CONTRADIÇÕES DO MODELO DO CAPITAL

                    

a) Felizmente o modelo de dominação do capital sobre a agricultura tem trazido graves conseqüências e contradições para toda sociedade, e isso vai levá-lo a derrota.     Por que a espoliação máxima da natureza é insustentável do ponto de vista econômico, do ponto de vista ambiental, climático.  

 

b) E também o modelo do agronegócio é socialmente inviável, porque não gera emprego, não distribui renda, não promove o desenvolvimento do interior e da economia local e em médio prazo a população se dará conta que é um projeto apenas para o capital;

 

c) É um modelo produtivo baseado no agroquímico e nos venenos agrícolas que são incompatíveis com uma alimentação saudável.   E com a preservação da natureza.

 

d) É inviável economicamente, porque a dependência do capital financeiro é cada vez maior, a dependência de insumos agroquímicos que são trazidos de distancias cada vez maiores e do exterior, e as escalas de produção, vão gerando contradições insuperáveis.

 

3- Reforma Agrária Popular= pequeno agricultor;

UMA PROPOSTA  POPULAR  PARA A AGRICULTURA

 

Há uma convergência entre todas as propostas, que se pode incluir também, mais além das formulações dos movimentos que resultou no encontro unitário dos trabalhadores do campo, incluindo povos indígenas, pescadores, quilombolas (Brasilia, agosto de 2012).     

  : Há uma nova proposta de reforma agrária e de projeto de desenvolvimento popular da agricultura.   Ou seja, reorganizar a produção agrícola para os interesses do povo brasileiro.

 

a)      Agora não é só disputar terra; precisamos disputar o território – controlar em tudo o que ele representa de bens da natureza, biodiversidade, minérios, água, pesca, rios, etc..

b)      A terra não é mais apenas para trabalhar, mas pra produzir alimentos, de forma saudável e para toda sociedade brasileira.   Focando a necessidade de a soberania alimentar, ou seja, em cada local, região, município, o povo precisa ter condições e produzir seus próprios alimentos, de acordo com seus hábitos alimentares e sua cultura;

c)      Recuperar a idéia da cooperação e beneficiamento dos alimentos de forma saudável, que é feito na agroindústria em cooperativas.   Combatendo assim as grandes estruturas de dominação impostas pelas empresas transnacionais; em todas as cadeias de alimentos.

 

d) Garantir o acesso a educação, em todos os níveis, desde as crianças até os adultos.  Desde a ciranda infantil até a universidade e conhecimento técnico.

 

e) Desenvolver uma nova matriz tecnológica baseada nos parâmetros da agroecologia, e da agrofloresta.

 

f) seguir combatendo a concentração da propriedade da terra e os latifúndios.  

 

 

4--Impacto de consumo e da produção:

Segundo a Anvisa, 130 empresas atuam hoje no setor de agrotóxicos no Brasil, sendo que 96 estão instaladas no país. Somente as dez maiores empresas do setor, no entanto, foram responsáveis por 75% das vendas de agrotóxicos na última safra, dividindo entre si o mercado brasileiro de acordo com as categorias de produto.

      Existem cerca de 15.000 formulações para 400 agrotóxicos diferentes, sendo que cerca de 8.000 encontram-se licenciadas no Brasil, que é o maior consumidore de agrotóxicos no mundo.

      Cada brasileiro proporcionalmente consome 5,2 kg de agrotóxicos por ano.

      Existe agricultor brasileiro que ainda chama o agrotóxico de remédio das plantas e não conhece o perigo que ele representa para a sua saúde e o meio ambiente.

 

-campeão mundial do consumo;

- um terço dos alimentos está contaminado;

-empresas transnacionais controlam o pacote;

-pesquisa da UFC (Rigotto 2011)

-investimentos do estado equivocado 20% para pequeno 80% para empresas;

-a pequena agricultura Poe 80% dos alimentos na mesa dos brasileiros.

5-Impacto na saúde humana e ambiental:

Intoxicações: agudas e crônicas

      O uso de agrotóxicos tem causado diversas vítimas fatais, além de abortos, fetos com má-formação, suicídios, câncer, dermatoses e outras doenças.

      Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, há 20.000 óbitos/ano em conseqüência da manipulação, inalação e consumo indireto de pesticidas, nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

Saúde do trabalhador (a);

Consumidores;

Águas e terra\biodiversidade.

Contaminação das águas por agrotóxico do Ceará

A expansão da fronteira agrícola chega ao semi-árido do nordeste do Brasil com a

Implantação de empresas transnacionais e nacionais que, beneficiando-se do fácil acesso a terra e água, se voltam especialmente para a fruticultura irrigada e o cultivo de

Camarões para exportação. O modelo de produção do agro-hidronegocio caracteriza se

Pelo monocultivo em extensas áreas, antecedido pelo desmatamento e conseqüente comprometimento da biodiversidade, e pela dependência do consumo intensivo de fertilizantes e agrotóxicos para atender as metas de produtividade.

No estado do Ceara, o “Estudo epidemiológico da população da região do Baixo

Jaguaribe exposta a contaminação ambiental em área de uso de agrotóxicos “1 abordou

Dimensões da Saúde dos Trabalhadores e de Saúde Ambiental impactados pelo processo de desterritorializacao induzido pela modernização agrícola (RIGOTTO, 2011).

 

6-Desafios e Perspectivas:

-conscientização coletiva;

-organização social e política;

-enfrentamento ao sistema do capital.

 

Estamos vivendo um longo período de resistência, de enfrentamento de um projeto do capital que é hegemônico, e precisamos acumular forças para o nosso projeto de fututo

 

a)      Na luta Política-ideológica nos somarmos nas duas bandeiras gerais da classe trabalhadora: democratizar os meios de comunicação e a luta pela qualidade da educação.

b)      Seguir construindo a unidade de todos os movimentos sociais do campo, em todos os estados, a exemplo do que foi o encontro unitário, que agora precisa aterrizar nas regiões e estados.

c)      Reproduzir este debate na forma de seminários estaduais e regionais.

d)     Aproveitar os espaços universitários para fazer a disputa político-ideologica entre os dois projetos do capital x  trabalhadores.

e)      Articular as pesquisas agrárias dentro de nossa pauta de necessidades e   sobretudo pesquisar o modelo do capital, suas contradições  e fragilidades;

 

f)       Participar e fortalecer as articulações em cursos, Campanha Agrotóxicos + incluir transgênicos;

 

g))Participar ativamente das Campanha temáticas em curso como:Campanha contra Trabalho Escravo;Campanha contra violência contra mulheres;Campanha Desmatamento Zero e Recuperação Áreas Degradadas;Campanha Pelo Alimento Local;Campanha pela regularização do território pesqueiro.

 

h)Assumir como parte de nossa luta a causa indígena.  Não se trata de solidariedade apenas, os povos indígenas estão enfrentando a sanha do capital, que quer espoliar seus territórios para privatizar as riquezas que eles zelaram por séculos.

      i)Os camponeses  devem trabalhar com a produção orgânico e agroecológica, preservando a prevenção à saúde humana e Ambiental.

 

Muito Obrigado!!!

 

Dr. Josiano Macedo- Médico de família e Comunidade

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Os princípios doutrinários do SUS; deve ser levados em conta nas ações dos gestores e do sistema, são eles universalidade; integralidade e equidade, este último me parece que há uma má interpretação e portanto uma má aplicação de ações sem entender que a equidade é a lupa da justiça, dá mais a quem precisa de mais, para buscar igualar pela média das pessoas.
Vamos pensar!

sábado, 25 de maio de 2013

Audiencia de prevenção as drogas no Aracatiaçu.

AUDIENCIA PÚBLICA DEPOLÍTICAS PÚBLICAS SOBRE DROGAS NO ARACATIAÇU
COMUNIDADE EM AÇÃO
ORGANIZAÇÃO: CSF, CLSDS, CEPAC E CRAS
Metodologia:
Iniciará com a apresentação das propostas do II seminário sobre drogas e suas conseqüências para a saúde. (síntese)
Far-se-á ênfase nas questões; quais das idéias podem se tornar política de ação na comunidade e qual meta para cada proposta. (curto, médio e longo prazo) e que tempo.
Logo passará a palavra para as autoridades, explicando que é importante responder as questões na oportunidade da fala. Inscrições livres as autoridades.
Após,facultará a palavra a plenária com tempo de 2 minutos, para dúvidas e aportes. (10 pessoas)
Finalizará com agradecimentos dos coordenadores (as) das entidades organizadoras.
Consideração das autoridades livre.

NOMES DE AUTORIDADES PARA COMPOR A MESA:
1-Prefeito de Sobral
Sr. Clodoveu Arruda
2-Secretário de Saúde
Sr. Olivan Queiroz
3-Sec. Da Educação
Sr. Julio cezar
4-Sec. Da juventude
Sr. Igor Bezerra
5-Sec. de Segurança pública
Sr. Pedro Aurélio Ferreira Aragão
6-Pres. da Câmara de vereadores
Sr. Itamar Ribeiro
7-Comandante da Policia Militar
Sr. Cel. Gilvandro
8-CMS
Sr. Fefeu
9-Coord. Do Fórum de políticas sobre drogas
Sr. Chiquinho Silva
10-OAB
Sr. José Inácio Linhares
11-Juizado da criança e do adolescente

12-Promotoria Pública

13-Conselho Tutelar

14-Sec. De Esporte
Sª. Shelda Keli
15-Representante das Igrejas(católica, protestante
Pe. Manoelito. Pa.=
16-Moderador\Orador
ProfºKalu
17-Comandante daPolícia Civil
Sr. Herbet da Ponte e Silva
18-Sec.  de Cultura

19-Chefe de Gabinete do PMS



Aractiaçu 8 de abril de 13