terça-feira, 8 de maio de 2012

História do Anel de Tucum



História do Anel de Tucum - Brasil

Vários anos atrás Lilia Marianno deu à comunidade WMF Brasil, anéis pretos simples, feitos a partir do fruto de uma palmeira. Com seu dom, ela compartilhou uma história.

Ela contou de um bispo, que em uma reunião com os líderes do povo Tapirapé, uma tribo indígena, foi intimidado por sua fé e resistência. Ele pediu seu perdão pelo tratamento ao seu povo pelos seus, e mais importante, perdão pela cumplicidade da Igreja na opressão do seu povo ao longo dos séculos.


O bispo tirou o anel de ouro, símbolo de sua ocupação, e apresentou-o ao chefe, dizendo: "Não podemos devolver todo o ouro que tomamos, ou restaurar todas as vidas que destruímos. Mas temos tempo para tentar fazer as coisas direito. Tome este anel como um símbolo do meu desejo de que a igreja será - não acumulando, mas doando-se. "O chefe Tapirapé aceitou o anel, e retribuiu através da remoção de seu anel de tucum e dando-lhe ao bispo como um símbolo de seu perdão e solidariedade”.

O anel, feito a partir do fruto da palmeira tucum, é uma planta difícil de cultivar, devido aos seus longos, finos, e afiados espinhos. Os anéis, feitos de casca dura do fruto que envolve a semente, são feitos à mão - em geral, sendo mais de uma hora por anel. A serragem, limpeza e polimento são feitos por membros da família, criando oportunidades de trabalho para aqueles que normalmente não têm.

O simbolismo do anel preto mudou ao longo dos anos – nos anos de 1.800 o anel era um símbolo da união para os escravos e índios, pois não tinham dinheiro para comprar ouro. O anel foi também um símbolo de amizade e de resistência à ordem estabelecida - os combatentes da liberdade.

Nas palavras do bispo, Dom Pedro Casaldáliga: "... Este anel é feito de uma palmeira da Amazônia. É um sinal de aliança, de solidariedade com os povos indígenas e com as vidas das pessoas (ao menos destes). Qualquer um que usa esse anel, normalmente, está dizendo que aceita o peso dessa luta, e também suas consequências. Você vai aceitar o desafio do anel? Muitos, por causa deste compromisso, foram fieis até à morte...”

Hoje o negro Anel de Tucum passou a simbolizar:

- A solidariedade com os pobres;

- Uma promessa de defender o Evangelho junto aos menos favorecidos;

- Compromisso com os pobres e excluídos da sociedade;

- A defender os mais pobres - alinhando-se contra os ricos e poderosos e a favor dos pobres, marginalizados e esquecidos;

- Solidariedade àqueles que lançaram a sua sorte com os pobres da terra - àqueles que anseiam pela liberdade de Cristo para chegar aos mais profundos e desestruturados lugares, e estão dispostos a sacrificar suas vidas por Ele e por eles.

Agora, muitos de nós da WMF usaremos esses anéis como um símbolo da nossa solidariedade com os pobres. Temos esperança de usá-los bem e este é o compromisso em oração que oferecemos ao transmiti-los a outros.

Dom Pedro Casaldáliga coloca o anel de tucum no dedo de Dom Leonardo Ulrich


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